Luísa de Campos da Cunha, Igor Vargas Gonzaga, Sofia Soliman de Conto, Tiago Cassol Severo
A dificuldade em visualizar conceitos abstratos de genética, como a influência direta do genótipo sobre o fenótipo e os padrões de herança, representa um desafio persistente na biologia. Este trabalho objetivou demonstrar essa relação de maneira acessível e prática, analisando os fenótipos de hibridização em Tropaeolum majus (capuchinha), conectando a genética mendeliana clássica a conceitos mais amplos de interações. A metodologia experimental consistiu em um cruzamento controlado e manual entre duas linhagens puras (P) com fenótipos contrastantes: P1 (flores vermelhas e caule alto, genótipo CV CV AA) e P2 (flores amarelas e caule baixo, genótipo CA CA aa). O cultivo em ambiente controlado visou isolar as variáveis genéticas para uma observação clara. Após emasculação e polinização cruzada, a Geração F1 (n=142) foi cultivada e observada. Os resultados principais revelaram 100% de uniformidade fenotípica na F1, que apresentou um fenótipo intermediário de flores laranjas e um fenótipo dominante de caule alto. A análise destes dados permitiu evidenciar, simultaneamente, dois padrões de herança: o surgimento das flores laranjas (genótipo CV CA) é uma demonstração visível de dominância incompleta, tornando tangível um conceito teórico. Paralelamente, a expressão de 100% de caules altos (genótipo Aa) confirmou o modelo de dominância completa. Embora fenotipicamente uniforme, a F1 mostrou-se 100% di-híbrida (CV CA Aa). Conclui-se que o experimento foi eficaz em materializar a teoria, validando a capuchinha como um excelente e acessível recurso didático para a aprendizagem significativa de conceitos genéticos complexos.